Qual a importância dos programas de empreendedorismo feminino?
- Ive Caceres
- 6 de abr. de 2022
- 4 min de leitura
Neste conteúdo, apresentamos o DELA, programa com a finalidade de ampliar a probabilidade de sucesso do empreendedorismo feminino.

Março, mês em que a pauta sobre temas femininos ganham visibilidade, dentre eles um perfil que se destaca: a mulher empreendedora. Em sua maioria mães e donas de negócios tradicionais, elas são responsáveis pela casa, filhos, finanças e, quando sobra tempo, por suas vidas pessoais. Viram destaque por serem guerreiras. Viram referência por dar, ou aparentar dar conta de tudo. Mas, ainda que ela seja essa “super mulher”, somos “cegos em termo de gênero" quando ignoramos as diferenças entre homens e mulheres em suas razões, formas e capacidades quando o assunto é empreender. E vale ressaltar que, quando o assunto toma esse rumo, ampliamos a discussão também para o tópico desigualdade.
Quando o assunto é empreendedorismo feminino é importante compreender primeiro o que seria igualdade de gênero dentro deste cenário. Diferente de discriminação, quando há exclusão por serem mulheres, e de equidade, quando são criadas medidas compensatórias para equiparar as condições da mulher, comparado aos homens, em detrimento das desvantagens históricas, a igualdade busca trazer as mesmas oportunidades para que ambos os gêneros possam desenvolver plenamente seus potenciais e se beneficiarem com isso.
Porém, se compreendermos que para abrir e manter um negócio sendo mulher, ainda mais sendo negra ou indígena, o caminho que se percorre em relação ao sexo masculino é completamente diferente, já conseguimos perceber que não estamos no mesmo barco. E não trata-se apenas de uma questão financeira, onde mulheres ganham 25% a menos do que homens em cargos semelhantes, 32% se for cargo de gerência. É a dificuldade de acesso à educação de qualidade, o preconceito, a insuficiência de tempo para conciliar tarefas domésticas e cuidados com a família, a falta de acesso à tecnologia, conhecimento, crédito e investimento e de tantas outras dificuldades enfrentadas pelas mulheres quando o assunto é trabalho.
"No Brasil, 47% do empreendedorismo feminino é motivado por necessidade - para os homens, esse índice é de 34%, indicando uma das dificuldades enfrentadas por empreendedoras brasileiras" (GEM, 2017)
Diante dos desafios encontrados no mercado de trabalho e das dificuldades enfrentadas ao tentar ajustar sua carreira e vida pessoal, muitas mulheres “escolhem” empreender. Entretanto, os desafios neste contexto só aumentam, uma vez que nem sempre elas possuem o total domínio das ferramentas que envolvem a gestão de um negócio. Ferramentas essas que não pairam apenas nas questões técnicas necessárias para viabilizar seu produto ou serviço, mas também a apropriação de habilidades socioemocionais quando o assunto é ser sua própria chefe.
Para solidificar esse pensamento não basta ações pontuais e esporádicas, é preciso disponibilizar para estas mulheres programas de capacitações efetivas, utilizando a educação empreendedora como uma ferramenta útil e potente para a consolidação e avanço dos negócios femininos. E foi em meio a estes desafios que a Semente Negócios executou fez parte de duas edições do programa SEBRAE DELAS em 2020, impactando em torno de quase 1000 empreendedoras ao longo do caminho e contribuindo aos poucos para a igualdade de gêneros no empreendedorismo seja uma realidade possível.
Programa Sebrae Delas Mulher de Negócios Santa Catarina
Pautado sobre as siglas Desenvolvendo Empreendedoras Líderes Apaixonadas pelo Sucesso, o DELAS é um programa de aceleração com a finalidade de ampliar a probabilidade de sucesso de negócios femininos. A realização via Sebrae de Santa Catarina contou com duas edições e estas foram apoiadas pela Semente através de aplicação de metodologias empreendedoras.
Voltado para o despertar e o fortalecer a cultura empreendedora das mulheres, as ações do programa são fundamentadas em três pilares, que buscam colocar em comunhão os saberes e a força feminina direcionada para seus negócios:
EU: aqui o programa chama atenção para o que a mulher precisa desenvolver em sua vida, carreira, família, saúde e outros aspectos de sua vida.
MEU: já nesta fase o programa traz o olhar para o que envolve o seu negócio, ideia e projeto.
NÓS: por fim, o programa aborda também assuntos que envolvem o universo da comunidade feminina, visando o fortalecimento de laços e proporcionando trocas enriquecendo suas redes profissionais
A primeira edição do programa contou com a participação de 350 mulheres de Florianópolis e iniciou-se no formato presencial em 2019. Porém, diante da situação de pandemia mundial, o mesmo precisou ser adaptado para uma versão online em 2020. Dos inúmeros aprendizados, o primeiro desafio: a transformação digital na prática. A Semente auxiliou neste processo e contribuiu para a capacitação em ferramentas como marketing digital, gestão de pessoas e trabalho remoto destas mulheres ao longo do ano, bem como a migração e adaptação de negócios para novos formatos diante do contexto da pandemia.
A segunda edição foi desenhada para um formato especial, incorporando os aprendizados da primeira edição, desta vez já nascendo 100% digital e com uma trilha focada neste desafio. Entretanto, o número e o alcance de mulheres atendidas aumentaram, com mais de 500 empresárias de Santa Catarina, atendendo também o interior do estado, ampliando a capilaridade do programa para além de Florianópolis.
Em ambos momentos foram utilizados duas metodologias desenvolvidas pela Semente Negócios: diagnóstico de negócios e Caminho Empreendedor.
Diagnóstico do Negócio: instrumento de avaliação dos negócios que foi aplicado tanto no início quanto no encerramento do programa, o que permitiu avaliar a evolução de cada empreendedora.
Caminho Empreendedor: a trilha de conteúdo no programa foi pautada na metodologia própria da Semente aplicada a negócios inovadores. Através dele trouxemos conteúdos voltados para a parte técnica dos empreendimentos, como MVP, design thinking, vendas, finanças e crescimento.
Aliada a elas, foram inseridos conteúdos pautados no desenvolvimento socioemocional das empreendedoras, como liderança, autoconhecimento e propósito.
Ser empreendedora, assim como ser mulher, é um trabalho integral
O empreendedorismo feminino é um caminho longo e árduo, e assim como ser mulher, é um trabalho em tempo integral. Por isso, promover conversas entre elas, proporcionar conversas com lideranças femininas, potencializar as vozes e ampliar os espaço para as empreendedoras não apenas valida o sucesso dos programas, mas também fortalece seu auto valor e criação de pertencimento em rede.
Tudo isso mostra que elas não estão sozinhas. Ouvir comentários como “quando unimos nossos negócios todo o mundo irá evoluir” ou “o que aprendi aqui foi imensurável para minha vida e meu negócio” só reforça que programas de capacitação para mulheres empreendedoras não são apenas importantes, mas também necessários para desenhar um contexto mais justo e igualitário no mundo dos negócios.
Texto publicado no blog da Semente Negócios no dia 09/03/21


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